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BEDA #1 - Um início


Boa tarde! Tudo bem??


Comigo está tudo tranquilo. Melhor agora que finalmente estou sentado escrevendo isso, para ser sincero.


Bom, pois é: BEDA.


Eu sinceramente não sei se isso já existia, mas, como tudo na internet, provavelmente sim. Blog Every Day August. Tirei a ideia do VEDA, o equivalente para vlogs. A ideia é justamente essa: a cada dia de agosto, um post novo por aqui.


Eu tentei fazer algo parecido ano passado com o fórum, mas acho que a proposta foi diferente o suficiente para tentar de novo esse ano.


Claro que não vou conseguir fazer um texto super elaborado todo dia. Aliás, a maioria provavelmente vai ser bem informal e leve mesmo. Mas, para mim, isso é bom. Eu preciso perder o medo de escrever.


Quando digo medo me refiro a este receio preciosista de que cada palavra escrita tem que ser lapidada e milimetricamente encaixada em seu devido lugar. Essa sensação esquisita de que se eu não sentar para escrever algo incrível, melhor nem tentar.


Eu me lembro das milhares de vezes que ouvi professores de redação dizendo que “texto” vem de “tecer” e, portanto, escrever é como unir fibras em tecidos maiores e adequadamente conectados. Eu nem sei se essa história é verdade. Deve ser. A metáfora é boa o suficiente.


O que eu tenho pensado - e me motiva a experimentar mais uma vez - é que nem todo tecido é de seda. Claro, esses são mais bonitos, gostosos de pegar e chamam mais atenção. Mas um cachecol simples de lã, tricotado por alguém que está aprendendo e ainda não pegou o jeito, também tem seu valor.


Então, sei lá. Talvez esse seja meu cachecol de lã.


Nem sei.


Hoje foi um dia até tranquilo. Não fiz nada demais nem nada demais. Praticamente só descansei o máximo que pude a cabeça e tentei curtir de verdade as férias antes que elas acabem. Assisti a alguns episódios de um documentário a respeito de uma história muito trágica que nunca ouvira falar. Em 28 de setembro de 1994, afundou em águas internacionais do mar báltico o M.S Estonia, uma balsa que partia da Suécia de volta para seu país de origem.


852 pessoas morreram.


A história me comoveu por diversos motivos, entre eles, claro, o número absurdo de mortos. É surreal pensar em tantas vidas acabando tão rapidamente. Além disso - que, inclusive, atua como tema central da série documental - parece haver muita conspiração ao redor do naufrágio. Digo “parece haver” por puro respeito ao meu ceticismo, A verdade é que há uma conspiração imensa ao redor. Ao ponto dos governos envolvidos se recusarem a realizar qualquer esforço plausível para a recuperação dos corpos e boicotarem ativamente tentativas independentes de refutar os relatórios oficiais sobre as causas do acidente ou resgatar mortos.


Eu vou poupar os detalhes porque não só eu acho que você que está lendo deveria assistir ao documentário por conta própria mas também pelo fato do assunto merecer - seja por complexidade ou respeito à sua gravidade - um aprofundamento maior.


Eu só imaginava o que faria caso estivesse na liderança de algo do tipo. Se eu fosse o primeiro ministro sueco ou estoniano e tivesse que lidar com uma tragédia dessa. Neste caso em específico seria fácil: total transparência independente de qualquer coisa. Mas e se, de fato, os corpos não pudessem ser resgatados? E se, realmente, tivessem que permanecer lá para sempre?


A primeira coisa que veio a mente foi construir um santuário de vida ao redor. Existem cemitérios submarinos, claro. Mas, se eu tivesse total autonomia, eu transformaria o local e os restos da embarcação em um berço para que a vida marinha florescesse. Isso já acontece naturalmente, então, por que não abraçar?


Introduziria pólipos de corais locais no casco e plantaria no solo as mais lindas algas que aquele ecossistema suportasse de forma equilibrada. Depois de um tempo, quando os corpos estivessem já totalmente decompostos e não oferecessem nenhum risco psicológico ou sanitário, abriria o local ao mergulho. Ao lado, também no fundo do mar, haveria uma peça imensa de pedra com todos os nomes das vítimas gravados, para que fossem lembrados sempre como as vítimas de algo horrível, mas cujo legado e memória estão ali, nutrindo a vida daquele oásis submerso.


É o que eu gostaria que fizessem comigo, pelo menos.


Gosto de pensar que os espíritos daquelas pessoas foram recebidos pessoalmente por Poseidon. Que ele testemunhou o acidente e carregou cada uma das almas pelas mãos, recebendo-as com um riso alto de boas vindas e levando-as a uma longa mesa cheia de vinho e alegria, onde celebram até hoje.


Mas, sei lá, é só o que eu gosto de pensar.


Pedro Marzano




 
 
 

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