Beda 11 - Teatro e Café
- Pedro Marzano

- 11 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Boa noite!
Como estão?
Bom, ontem não tivemos post porque, como falei lá no instagram (@sepiasapienblog), estava assistindo ao jogo do galo.
Mas não vamos falar sobre isso
Eu tenho selecionado alguns temas interessantes para falar por aqui. Todos envolvendo ciência ou alguma coisa do tipo. Mas, não sei, até agora tenho gostado muito deste formato em que eu simplesmente sento por aqui e deixo as coisas fluírem. Acaba sendo uma surpresa para mim também.
Dormi até meio dia e meia hoje - algo que não é muito do meu feitio. Normalmente acordo cedo. O mais cedo possível. Gosto de ver o sol nascer e o dia começar, por assim dizer. Eu amo as manhãs. Parece ter algo meio esperançoso no ar, não sei.
Eu jogo um joguinho muito gostoso que me lembra essa mesma sensação. Ironicamente, ele se passa de madrugada. O nome é Coffe Talk e, na verdade, está mais para um livro do que para um jogo.
Você é o dono de uma cafeteria em Chicago (ou Seattle, não me lembro bem), mas que, para o questionamento dos seus clientes, funciona primordialmente tarde da noite. Essa Chicago se passa em um mundo diferente do nosso. Um mundo compartilhado por humanos e outras raças inteligentes, entre elas, orcs, vampiros, lobisomens, elfos e outros mais. Eles trabalham e vivem como qualquer um. Têm seus empregos, famílias e dilemas. Absolutamente tudo o que vive-se nos dias de hoje, mas, de certa forma, escancarado pela diversidade de espécies. Digo “escancarado” e não “piorado” porque não é como se as coisas que acontecem com esses personagens não acontecesse com humanos no mundo de hoje. E o jogo faz questão de deixar isso claro.
No jogo, acompanhamos o dia a dia (ou, deveria dizer, “noite a noite”) do estabelecimento. Atrás do balcão, preparamos as bebidas pedidas pelos clientes. Mas, o importante mesmo são eles: os clientes.
Todo dia, Freya, uma jornalista humana chega a cafeteria. Ela não precisa nem falar, quase que ordena que lhe seja entregue seu expresso diário. Atualmente, vive um dilema: perseguir o sonho de escritora independente e ameaçar a estabilidade dada pelo seu trabalho atual? Inclusive, por isso sua frequência crescente na cafeteria. Ela tem trabalhado em um manuscrito e pretende entregá-lo a uma editora importante em breve, Pela falta de tempo no dia, vara as noites com seu caderninho e bom humor ao nosso lado. Pedindo licença quando precisa de mais atenção.
Joji aparece com uma certa frequência também. É um policial humano que costuma passar seus intervalos por aqui. Ele sempre pede um cafézinho com leite e um pouquinho de mel. É bem a cara dele: Morno, entre o amargo e suave, mas amenizado pela doçura. Nós, ele e Freya somos bons amigos. Sempre brincamos uns com os outros e conversamos bastante. Amizade esta nascida justamente aqui, entre as cadeiras e o balcão.
Aqua também é um amor. É uma oceânica que foi capaz de enfrentar a inércia social de sua raça e conquistar uma graduação em terra firme. Ela trabalha com computação. É apaixonada pelos algoritmos com os quais trabalha. Paixão essa que as vezes até desafia a sua casca tímida.
Myrtle é o oposto. Uma Orc com cara de brava e paciência correspondente. Sempre chega, senta-se no balcão nele coloca os braços imensos enquanto navega pelo celular. Pede sua bebida de sempre e não costuma falar muito mais do que isso. Ela não me engana. Sei que em baixo da casca existe uma delicadeza tão grande quanto a de Aqua. Eu até já errei o pedido dela algumas vezes só para ver como ela reagiria... Bingo. Inclusive, já vi as duas trocando olhares mais de uma vez. Aqua sempre foge imediatamente quando pega olhando por Myrtle, mas ela não se importa. Na verdade, ela até costuma descansar o olhar de volta as vezes.
Talvez só seja preciso uma ocasião adequada para que as duas se conheçam melhor. Ou, quem sabe, um empurrãozinho....
Essas são só algumas das figuras que residem no ir e vir da cafeteria. Há muitas outras para conhecer.
Acho que é isso que sinto nas manhãs: esse assistir ao filme da vida de tantos. Ver essas histórias se construindo na medida que começam mais um de seus capítulos diários. O nascer do sol parece um certo abrir das cortinas para o palco onde a vida se encena.
Até amanhã!
-Pedro Marzano




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