Beda #14 - Fuga?
- Pedro Marzano

- 14 de ago. de 2022
- 2 min de leitura
Boa noite!
Como estão?
Bom, primeiramente gostaria de desejar um feliz dia dos pais a todos que estejam lendo!
Eu não preparei nada de especial para a data. Até poderia fazer algum textinho sobre paternidade ou coisa do tipo mas, sinceramente, acho que o tema é profundo demais para ser conversado de forma corrida, sem os devidos cuidados.
Então, fica para uma próxima oportunidade.
Em breve voltam as minhas aulas. Dia 22, para ser exato. Foi tão bom finalmente poder sentir a vida universitária presencial depois de praticamente dois anos tendo aulas virtuais. Foi bom para me lembrar o quanto eu realmente amo este ambiente e quero permanecer nele. Por enquanto como aluno, mas um dia como professor.
De vez em quando eu pego um dos ônibus internos da UFMG para chegar ao meu ponto. É uma caminhadinha significativa até o topo de um morro, então acaba valendo a pena nos dias que estou particularmente cansado.
Enfim. No ponto onde eu pego esse ônibus há um anúncio que me comove bastante, para ser sincero. Trata-se de um poster anunciando aulas particulares de imunologia, uma matéria particularmente difícil e que, por coincidência, estudarei este semestre.
A pessoa que está anunciando não é, necessariamente, uma professora da universidade. Pode ser uma mestranda ou doutoranda da área que tenha encontrado uma forma de conseguir um dinheiro a mais. No início eu não tinha pensado nessa possibilidade, então imediatamente refleti sobre a natureza precária das universidades e como estes profissionais, competentes e concursados, estejam tendo que arrumar outras formas de fechar as contas. Mas este não parece ser o caso.
Pelo menos ainda não.
Mas, sendo sincero, o que me comovera de fato fora a mera existência do anúncio. Eu não tenho absolutamente nada contra aulas particulares. Muito pelo contrário, já fiz por muito tempo e elas foram essenciais para boa parte do meu ensino médio. A questão é justamente essa: meu ensino médio.
Será que a vida universitária ainda tolera este tipo de coisa?
Não seria este o momento de, finalmente, crescer e provar de vez da vida adulta?
A hora de acostumar-se com as responsabilidades e com os sacrifícios adjacentes a elas?
Me assusta um pouco pensar que o imediato impulso do universitário, em face da dificuldade de aprender, esteja se tornando buscar aulas particulares. Uma forma mastigada de obter uma ajuda que já existe na forma de livros acadêmicos e professores universitários, mas, diferentemente da primeira, ainda dependente do protagonismo do estudante.
Eu tenho medo.
Tanto medo, na verdade, que percebi que este assunto mexe mais comigo do que eu imaginava. Por isso, vou parando o texto por aqui. Preciso mastigar isso bem mais antes de botar para fora o que tenho a dizer.
Até amanhã...
-Pedro Marzano




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