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Beda #22 - Expectativa

Boa noite!


Como estão?


...


Cara de pau, né?


Sumir por três dias de um desafio cujo objetivo é justamente não sumir e aparecer, de repente, com a cara lavada, como se nada tivesse acontecido.


Eu sei. Eu sou cara de pau mesmo. Para ser sincero eu não consigo pensar em um ponto específico que me fez afastar durante esse fim de semana. É algo que vem de cansaço e casa um pouco com expectativa, talvez.


Nas ocasiões em que eu sentia que perderia o post do dia eu dava algum jeitinho de aparecer mesmo assim. Fazia um bug no instagram, inventava uma historinha, colocava algum desenho ou imagem interessante, jogava a responsabilidade para o leitor ou, até, para minha própria namorada.


Eu refleti um pouco sobre isso. De certa forma, o que isso representa? Logo no início do BEDA eu falei que um dos objetivos era desmistificar a escrita. De certa forma, diminuir minhas próprias expectativas e me permitir escrever com mais leveza e pensando menos no impacto.


Eu sinto que comecei muito bem e, honestamente, atingi em boa parte este objetivo. O problema é que parece que este tiro rebateu e voltou em mim. Eu fiz alguns posts dos quais me orgulhei muito durante este período. E, tendo em vista a “obrigação” inerente ao desafio, alguns outros me passam uma áurea preguiçosa. É difícil para mim não visualizar as postagens menos elaboradas como “jeitinhos”. Como pequenas furadas no desafio, como se tivesse, de fato, nem postado nada.


Sejamos sinceros, eu não preciso fazer isso. Apesar da audiência de amigos e familiares - aos quais sou muito grato; mesmo- não há outro para o qual este desafio foi dedicado senão a mim. Eu tento escrever todo dia para escrever todo dia, não para cumprir com alguma obrigação fora disso.




E, sei lá, eu só senti que estava fazendo da forma errada.


Eu tenho um problema sério com expectativas. Principalmente minhas comigo mesmo. E, na verdade, é muito provável que este texto todo não passe de uma estampa disso. Um monte de palavras tentando acrescentar camadas artificiais a algo que eu talvez não queira enfrentar: eu criei expectativas durante este processo e agora estou com medo delas. Eu só estou tentanto justificar este medo e, durante o processo, fugir dele.



Curiosamente, isso casa de forma perfeita com o sentimento que tenho agora. Apesar de não ter postado estes últimos dias, não me sinto derrotado. Muito pelo contrário, sinto até que já fiz demais e superei qualquer expectativa que tinha sobre mim mesmo. O problema é esse, no meu exercício de diminuir essas expectativas a meu respeito, novas vêm. E eu tenho medo delas.

Talvez o Beda tenha nascido daí. Uma força nova para conseguir criar uma expectativa forte sobre mim e enfrenta-la, não temê-la. E estava dando tudo certo. O problema é esse. Ao superar uma expectativa, não há mais como voltar atrás, o chão da exigência aumenta e nunca mais desce.


Talvez, inconscientemente, eu tenha me prejudicado. Criado justificativas mentais para não fazer o beda do dia. Simplesmente porque, se eu fizesse, eu perceberia que consigo fazer.



O BEDA é maior do que o blog. Como eu disse, eu não faço por ninguém além de mim. E, agora, vejo de forma mais clara. Nunca se tratou de uma trajetória até o final de agosto, mas um passo em uma jornada nova. Uma jornada que eu temo mais do que este primeiro passo. Mas, mesmo temendo-o, preciso dá-lo.


Por isso, assim como houveram desculpas esfarrapadas para não postar nos últimos dias, o BEDA é uma desculpa esfarrapada para enfrentar essas minhas questões. Uma forma de sistematizar essa luta e, talvez, deixá-la até mais palatável.


Eu não sei.


Só sei que, para ser sincero, a maior vitória que poderia ter foi a de ter dado este passo e, agora, percebê-lo como um passo. O resto é detalhe.


Até amanhã.


-Pedro Marzano


 
 
 

1 comentário


lananeto
23 de ago. de 2022

Este e o Pedro que conheço...o pouco não lhe convém e este pouco, apenas serviu para um primeiro passo.Enquanto você não alcancou a sua liberdade de fazer algo como bem quis, não poderia se responsabilizar por algo que fizesse os seus leitores crescerem com os seus conhecimentos.Que estes, sejam sempre repassados a nós, pois alminha de professor é assim, aprende para ensinar.E você tem esta alma e este prazer em ensinar.Apenas não confia plenamente-ainda-que isso seja assim tão importamte para nós que gostamos de aprender.

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